Entrevista para o R7 – eleições

30 dez

Fonte: R7

Primeiro vereador eleito pelo PSOL para a Câmara Municipal de São Paulo desde a fundação do partido,em 2004, Toninho Vespoli afirma que vai tentar descobrir porque a prefeitura não cobra dívidas que empresas têm com o município.

Candidato com a menor votação nominal (8.722 votos) a conseguir uma vaga na Câmara, Vespoli diz que se orgulha de ter conseguido a cadeira graças à expressiva votação na legenda do partido e de outros candidatos da coligação.

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Professor de matemática na rede pública municipal, o vereador recém-eleito militou no PT “durante toda a vida” até deixar o partido e ingressar no PSOL, em 2005, “por questões programáticas”.

Leia a entrevista:

R7 – Como o senhor vê a votação expressiva na legenda do PSOL, maior do que de partidos médios e tradicionais

Vespoli – O PSOL está resgatando caráter militante, que foi muito forte na década de 80 e 90. O bom desempenho a nível nacional acabou credenciando o PSOL para a sociedade. Acho também que conforme alguns setores progressistas se descolam dos movimentos sociais o PSOL começa a se inserir. Isso também ajudou PSOL a começar a virar referência.

R7 – O fato de ter sido o vereador com menor votação nominal a ser eleito te incomoda?

Vespoli – Para mim não incomoda, por causa do apoio político. Atingimos o quociente eleitoral e até me orgulha muito porque todos nossos companheiros que nos ajudaram a chegar ao quociente são lideranças comunitárias que tiveram 2 mil, 3 mil votos. Foram pessoas que tiveram campanhas com próprios recursos, dos companheiros, o que nos orgulha muito, porque não pegamos dinheiro com iniciativa privada. Represento todos esses companheiros. Pode até ter outros vereadores que tiveram 20, 30 mil votos [e não se elegeram], mas o que está por trás dessas candidaturas?

R7 – O que um vereador pode fazer sozinho na Câmara? O senhor não corre o risco de ficar isolado?

Vespoli – Vim das comunidades de base da Igreja Católica e lá uma coisa que aprendemos a fazer muito bem é negociar. Agora tem alguns limites e parâmetros. Não vou negociar nada que coloque mandato ou meu nome em qualquer coisa que eu não ache certa ou justa. Meu mandato é coletivo, não vou tomar decisões sozinho, vamos fazer plenárias e discutir principais projetos da cidade de SP e decisões serão coletivas. Minha campanha já foi pautada nisso. Então propostas que estão ali não são só de Toninho. Há coletivos de educadores, de professores, de questão de gênero, da saúde e da juventude. Então acho que pressão popular ajuda a sensibilizar os nobres colegas vereadores para alguma discussão.

R7 – É possível haver diálogo com outros vereadores da Casa?

Vespoli – Eu acho que dialogar podemos com todos, agora ter proximidade ideológica talvez tenha alguns vereadores que possamos sim em alguns momentos estar um pouco mais próximos. Como o Nabil [Bonduki, do PT]. Mas quero deixar bem claro que tem setores do próprio PT que dificilmente teremos algum diálogo. Não vou citar nomes para não criar estardalhaço.

R7 – Quais serão suas principais bandeiras na Câmara?

Vespoli – Discutir a questão da acessibilidade na cidade, discutir a questão do saneamento básico, inclusive pautado muito na questão das enchentes, discutir a questão da saúde e da educação. Essas são as prioridades. Para discutir essas coisas tem que ter verba. Isso remete a discutir a dívida. Inclusive a dívida que algumas empresas têm com o município, e o município não cobra, é até engraçado. Não consigo entender porque não se cobra. Agora vamos ter mais elementos para tentar descobrir o porquê.

R7 – Como vê a eleição de uma “bancada da bala” na Câmara?

Vespoli – Vejo com preocupação. Não pelo fato de serem eleitos, nem os conheço, podem ser pessoas boas. Mas acho que a sociedade na hora que vota em pessoas desse perfil pensa que vai resolver os conflitos sociais à bala, e eu acho que não é isso. Diminuir a questão da criminalidade é desenvolver politicas públicas para crianças e adolescentes. Educação de qualidade, escola integral, você tira criança de vulnerabilidade, eu acho que desse jeito ajuda a tentar fazer discussão pela raiz e não já tentar resolver o efeito. A hora que a criança vai pra criminalidade você vai prender, vai matar? Acho que precisamos fazer discussão de fundo. Sou da periferia e a gente via os carros indo na favela conversar com traficante, pegar dinheiro, então acho que há setores que se dizem muito moralistas, mas que boa parte desse setor também esta envolvido com o crime organizado.

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